— SIMSOCIAL 2012

Edvaldo Couto e o uso das redes sociais na educação

O segundo dia do SimSocial teve início com a conferência do professor Edvaldo Couto, intitulada Corpo, subjetividade e tecnologias digitais: usos de redes sociais na educação. Sua pesquisa inicialmente pretendia explorar o discurso e as representações do corpo nas redes sociais; posteriormente, a pesquisa caminhou para os usos da rede na educação. O objetivo é então discutir o tema do corpo nas redes sociais dentro das possibilidades pedagógicas.

O professor do departamento de educação da UFBA continua sua fala colocando que nas redes sociais o corpo também é um meio de expressão; o que interessa são as narrativas corporais nas redes sociais. Taís narrativas podem ser expressas através de texto ou fotografia. “É também pelo corpo que as pessoas se expressam nas redes sociais”, afirma o professor. Porém, essas narrativas corporais estão bastante alheias na educação. Existe um silenciamento muito grande  sobre os corpos na rede, mesmo sendo esta uma época de culto ao corpo. E coloca ainda: “se nós existimos com o corpo, é com o corpo que estamos na rede e é com o corpo que fazemos educações”.

“A escola é o lugar que atrasa o século XXI. Fora da escola eu tenho acesso a várias formas de informação. Na escola, eu tenho um professor, um livro, talvez um computador”. Foi com essa frase, de um aluno canadense, que Edvaldo Couto questionou o fato de quase todos os professores e alunos estarem conectados e o uso das redes ainda ser tão precário nas práticas pedagógicas e reforça o fato de que é preciso investir na escola e na formação do professor. Professor Edvaldo sugere o uso livre das ferramentas para encontrar maneiras de se produzir na rede.

Ele definiu rede social como uma estrutura social que envolve indivíduos que partilham dos mesmos interesses. E afirma: “Agora é preciso conectar as pessoas e são as pessoas conectadas entre si que fazem coisas extraordinárias, porque elas estão juntas”. Edvaldo enfatiza que é preciso compreender que quando se fala em redes sociais não se fala somente de orkut, facebook e twitter: “há experiencias lindas de pequenos grupos criando redes”.

Couto aponta que cada sujeito é agente ativo na criação e distribuição de conteúdo e mostra algumas pesquisas sobre comportamento das redes sociais para pensar a quantidade de pessoas que usam as redes sociais e o crescimento da utilização da internet móvel. “Se as pessoas estão cada vez mais conectadas, o que se pode fazer conectado na educação?” E complementa “Onde tem mais pessoas conectadas, tem mais inteligencia coletiva. Assim deveria ser”.

O professor coloca a importância da participação das pessoas na cultura digital e propõe algumas ações que se pode fazer em rede, como aprendizagem reciproca, reconhecimento e enriquecimento mutuo e trabalho coletivo e colaborativo.

Outro ponto destacado foi a questão dos preconceitos, que também são vivenciados em rede. Há uma valorização grande de determinados modelos corporais que devem ser exibidos; encontramos na rede uma preocupação social cada vez maior para que as fotos sejam bem elaboradas, o corpo espetacularizado e construído para exaltar determinadas característica que se aproximem dos modelos valorizados socialmente. Para isso, são utilizadas estratégias pra permitir que a narrativa corporal seja bem feita. Essa obsessão por mostrar as narrativas corporais deve ser acompanhada de uma discussão acerca da vulnerabilidade na rede, que novamente é colocada novamente como um espaço de educação extraordinária, onde devem ser  discutidas sobre essas praticas.

Para completar, Edvaldo dá alguns exemplos de como usar as redes a favor da aprendizagem: mediar grupos de estudos, disponibilizar conteúdos extras para os alunos, compartilhar experiencias e bons exemplos, elaborar calendários de eventos e atividades, criar chats para tirar duvidas, promover a cultura, dentre outros. Os professores integrados na cultura digital podem usar as redes sociais para potencializar a comunicação com seus alunos, perceber as linguagens usadas e os valores envolvidos, discutir questões significativas, incentivar a expressão de uma ideia em formatos reduzidos, distribuir e receber tarefas, intensificar o dialogo em esfera publica, orientar para praticas e comportamentos seguros, orientar sobre as narrativas corporais sociais e incentivar o ativismo nas redes sociais. Mas alerta que assim como na sala de aula não se pode dizer qualquer coisa de qualquer maneira, nas redes sociais, que constitui-se de uma esfera publica com alcance muito maior, o cuidado tem que ser intensificado.

Professor Edvaldo finaliza sua apresentação afirmando que não se pode jamais limitar a experiência, deve-se sim, vivenciar e incentivar os processos dinâmicos nas redes sociais. “A educação é produção livre de conhecimentos”.