— SIMSOCIAL 2012

Mesa redonda: Metologias de Pesquisa na Internet

Na última atividade da manhã, José Carlos fez a abertura apontando os desafios que os ambientes digitais trazem ao esquema de pesquisa dos fenômenos sociais, partindo da observação, passando pela coleta de informações para análises que gerarão interpretações. A mesa foi aberto com a indagação sobre os efeitos da complexidade e particularidade das tecnologias digitais na reconfiguração das pesquisas de muitos fenômenos sociais contemporâneos. Em que medida as particularidades destes fenômenos que se apresentam nos ambientes digitais são ressonâncias de transformações mais amplas do mundo contemporâneo e não apenas fruto das singularidades técnicas das tecnologias digitais?

Adriana Amaral iniciou sua fala apontando as motivações para produção do livro Métodos de Pesquisa na Internet (2011). Dentre os desafios teóricos metodológicos da Internet, destacou a tríplice característica da Internet como objeto de pesquisa, ambiente e, ao mesmo tempo, instrumento para coleta de dados. Lembrou da importância de recuperar, nas pesquisas, os antecedentes históricos tanto dos dispositivos tecnológicos quanto dos métodos de pesquisas usados em outros momentos da história. Os níveis de inserção do pesquisador nos ambientes digitais merecem atenção especial pois possuem relações importantes com os tipos de pesquisa e podem interferir no próprio objeto de estudo.

Outro ponto destacado foi a importância da descrição aprofundada dos fenômenos para subsidiar as análises e interpretações. A combinação de pesquisas quantitativas e qualitativas podem permitir saltos de qualidade das pesquisas, articulando diferentes abordagens e métodos para estudo de fenômenos complexos. Os modismos e encantamentos momentâneos das análises acadêmicas descartam muito rápido objetos de estudo sem a necessária amplitude para compreensão dos fenômenos. Usar dados on e off é outro desafio a ser articulado no desenho das pesquisas e esta articulação nem sempre é evidente, apesar de ter potencial de para produzir olhares mais críticos. A pesquisadora aponta que carecemos de um aprofundamento teórico metodológico das pesquisas na Internet, trazendo uma perspectiva mais macro para além do modismo e do determinismos associados às tecnologias. Problematizar mais a fundamentação do uso dos métodos e cuidar do processo de aplicação pode ser mais relevante do que apenas apontar o método usado.

A pesquisadora da UNEB Tânia Maria Hetkowski, do Grupo de Geotecnologias, Educação e Contemporaneidade (GEOTEC), relatou sobre Pesquisa Colaborativa a partir de algumas experiências com o projeto “A Rádio da Escola e na Escola da Rádio”, demonstrando que a pesquisa é uma dimensão da práxis social e, por isso precisa cogitar os compromissos cabíveis à dinâmica da sociedade, assumindo as insuficiências e inacabamentos nos modus de se pesquisar. O exemplo do projeto traz à tona indagações de que as preposições metodológicas se fazem a partir dos percursos e “do caminhar” dos pesquisadores. Assim, a fala da professora ilustrou uma possibilidade de pesquisa colaborativa, a qual busca um “entrela çamento entre o saber e o fazer, entre as potencialidades da geotecnologia no entendimento do espaço, entre as demarcações e as práticas pedagógicas de sala aula, entre as vivências, as representações e os saberes sobre a dinâmica do espaço urbano vivido, concebido e percebido pelos pesquisadores do GEOTEC e alunos e professores da Rede Pública de Ensino”.

Já o pesquisador Marcos Palacios trouxe para o debate diferentes momentos da pesquisa em cibercultura e a necessidade de cautela na definição das estratégias de pesquisa. Apontou a importância de termos em mente que a demarcação de caminho de construção das metodologias são construídas no próprio percurso das pesquisas na área da comunicação.

Palacios iniciou sua fala fazendo uma rápida retrospectiva histórica das pesquisas na e sobre a Internet no Brasil, questionando a relevância da urgência por novos métodos: “É preciso uma nova metodologia para lidar com as novas manifestações sociais na Internet?”. Esta indagação em 1995 gerou apontamentos sobre o fato de que mesmo havendo mudanças nos objetos de pesquisa na Internet, os objetos continuavam conectados aos demais fenômenos e ambientes não mediados pelas tecnologias digitais. Há mais potencialidades do que rupturas sendo apontadas no contexto de ineditismos da Internet. Talvez uma das maiores demandas atuais seja a necessidade de criação de métodos híbridos para as pesquisas na Internet. O professor finalizou sua apresentação lembrabdo que a Internet pode ser considerada tanto como sistema quanto como ambiente e precisamos aprender a “passar a navalha”, atualizando a célebre frase de Navalha de Occam: “As entidades não precisam ser multiplicadas além da necessidade”, aumentando a cautela na seleção e aplicação das estratégias para pesquisas na internet e fora dela.

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Recuero faz a primeira conferência debatendo a conversação em rede

O Professor Edson Dalmonte, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporânea da UFBA, e com o professor José Carlos Ribeiro, coordenador do GITS, abriram o SimSocial 2012. Dalmonte parabenizou o GITS pela organização e ousadia em fazer o evento, já em sua segunda edição. Afirma que o evento, que surge do interior de um grupo de pesquisa, é um momento importante de encontro para todos e deseja que os participantes voltem a seus respectivos programas com esse complemento. Dalmonte aproveitou a oportunidade para o convite do Encontro Anual da COMPÓS, que em 2013 será em Salvador, entre 04 e 07 de junho.

José Carlos Ribeiro, deu boas vindas a todos os participantes e apontou que o evento surgiu do desejo de compartilhar as experiencias internas do grupo e trocar informações sobre sociabilidade e tecnologias. Ribeiro, também coordenador do evento, fez um comparativo entre a primeira e a segunda edição do  evento, enfatizando o número de inscritos triplicou, o que mostra o interesse no tema e relevância do evento.

Conversação em Rede

A professora Raquel Recuero, jornalista, professora doutora e pesquisadora do PPGL e do curso de Comunicação Social da UCPel, realizou a conferência de abertura do SIMSOCIAL 2012, com a temática “A Conversação em Rede”.  Recuero iniciou a discussão contextualizando seus estudos em redes sociais. Raquel faz pontuações das redes sociais como estruturas sociais, isto é, modos como as pessoas se conectam, como trocam informações através dessas conexões e como essas trocas influenciam a sociedade. Nesse caminho, a grande revolução não são as redes em si, e sim as redes sociais online – o surgimento e apropriação dos sites de redes sociais.

Nesses sites os atores (sujeitos do ponto de vista interacionista) criam um perfil, ou seja, uma representação individualizada, e através dessa representação associam-se a outras pessoas; essas conexões associativas estão criando efeitos relevantes. Recuero ilustrou fazendo um comparativo entre uma pesquisa da década de 60, que afirma que entre qualquer pessoa e outra há no máximo seis graus de separação. Uma pesquisa publicada em 2012 traz que hoje, no facebook, esse grau cai para 3,75. A professora complementou que as redes sociais online são bem mais complexas e apontou três fatores que no ambiente online são transformados: capital social, permanência e difusão de informações.

Na sequência, Raquel Recuero trouxe a discussão sobre a conversação trazida pela comunicação mediada por computador (CMC). Ela introduziu o tema abordando cinco elementos da conversação, de acordo com Marcuschi: interação, troca de falantes, sequencia de interações coordenadas, execução de uma identidade temporal e envolvimento em uma interação centrada. A conversação online abarca os cinco elementos e, de acordo com Boyd e Ellison (2007), contempla ainda outras variáveis efetivas como permanência, buscabilidade, replicabilidade e presença de audiências invisíveis.

Recuro enfatizou que as conversações em rede estão além de nós, as mensagens se reproduzem e milhares de pessoas falam ao mesmo tempo, sobre o mesmo assunto e pontua que as conversações em rede permitem migração e multimodalidade, escrita oralizada, unidade temporal elástica, representação de presença e públicos em rede. “Essas tecnologias estão fazendo com que conversações em rede emerjam e estão proporcionando que as informações circulem mais e mais rápido. Os movimentos que estão emergindo tem efeito porque representam um espaço de opinião publica”.

Ao final, Recurso trouxe questões emergentes sobre temas que estão se reconfigurando, tais como privacidade, rastros, excesso de informação, filtragem e exposição. E após o espaço de perguntas finalizou: “Que tipo de sujeito surge das redes? Não tenho a menor ideia. Saberemos no futuro”.

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Acompanhe o #simsocial2012 em tempo real

Bem vindos ao #SIMSOCIAL2012! Desde às 8h da manhã que se iniciou o credenciamento e os participantes e palestrantes já estão chegando. Na sequência teremos a conferência de abertura, com o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas (PósCom UFBA), Edson Dalmonte, e com o coordenador do evento, José Carlos Ribeiro.

E no começo da manhã a segunda edição do SimSocial  já era assunto na imprensa baiana, numa reportagem de Verena Paranhos intitulada “Interação e Sociabilidade em discussão”, para o Jornal A Tarde (pg. 3).

O SimSocial é um evento organizado pelo Grupo de Pesquisa em Interações, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS). Acompanhe as conferencias pelo site, pela twitter do GITS (@gitsufba), pela página do facebook (http://www.facebook.com/simsocial2012) e ao vivo através do link aovivo.ufba.br/simsocial.

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Orientações aos apresentadores

Amanhã começa o SIMSOCIAL 2012. Para os autores, seguem algumas orientações para o bom andamento das apresentações.

  1. Nós privilegiamos qualidade para o SIMSOCIAL. Assim, cada participante tem até 20 minutos para apresentar seu trabalho. A cada 2 trabalhos, faremos um bloco para discussões de mais 20 minutos, e assim prosseguiremos com a sessão. Eventualmente, os coordenadores poderão fazer ajustes para uma melhor organização das apresentações.
  2. Se você utilizar slides, sugerimos trazer em mais de uma versão. PPT e PDF são recomendados. Você também pode utilizar serviços como Prezi para apresentações animadas.
  3. Incentivamos a publicar seus slides em sites como SlideShare. Assim poderemos criar links para elas ou incorporá-las aqui e no site do GITS =)
  4. Tweet, compartilhe, curta no Facebook. Você até já deve conhecer, mas não custa lembrar:
    – twitter: @gitsufba
    – hashtag: #simsocial2012
    – facebook: /simsocial2012

Desejamos a todos um ótimo evento!

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Download dos trabalhos aprovados

Encontram-se disponível para download os trabalhos selecionados para apresentação dos NTs no SIMSOCIAL 2012. Visite nosso sistema de gerenciamento (Gere) para ter acesso a eles.

DOWNLOAD DOS TRABALHOS SELECIONADOS

 Procedimentos:

1) No menu à esquerda do Gere, procure pelo item Anais.

2) Na tela seguinte, você poderá procurar o trabalho por autores específicos ou selecionar um dos NTs para ver todos seus artigos.

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