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conferência | SIMSOCIAL 2012

— SIMSOCIAL 2012


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João Freire na última atividade do SimSocial 2012

A última atividade do SIMSOCIAL 2012, foi marcada pela palestra do professor João Freire Filho, do Programa de Pós-Graduação da ECO/UFRJ. Com o tema Ser célebre: o anseio por reconhecimento e as estratégias de visibilidade no ambiente virtual, o professor falou na noite do segundo dia do evento sobre questões que têm causado muito interesse, na qual passa por fenômenos que lhe causam perplexidade. E assim se originou sua atual pesquisa sobre o anseio por reconhecimento e estratégias de visibilidade no ambiente virtual. Como é possível esse interesse por ser celebre ter sido difundido de forma tão forte neste milênio? Por que esse anseio por notabilidade?

João Freire argumenta que as pessoas tendem a assimilar a celebridade aos meios de comunicação e que isso é um equivoco. O termo celebridade surgiu ainda no século XIX e que as maiores pesquisas nessa área são feitas no campo da historia e literatura. Atualmente, apesar da fama ainda ter um caráter obscuro, a busca por reconhecimento é muito grande. Para ilustrar, o professor mostrou alguns exemplos de como essa busca é presente desde a infância, incentivada pelos pais e mostrou também vários livros sobre o tema: Como se tornar uma celebridade, Marketing da visibilidade,15 Minutes of Fame: Becoming a Star in the YouTube, The Fame Game, dentre outros.

O professor trouxe também o exemplo do programa Big Brother, um fenômeno no Brasil, que não teve tanto sucesso em países como os Estados Unidos. A contradição do Big Brother é a de propor uma possibilidade de fama, “sendo você mesmo”. É um jogo onde o foco é mostrar que não se está jogando. E neste contexto entra a questão da “Ética da autenticidade”. João Freire traz a autenticidade aqui como um compromisso só consigo mesmo, inclusive quebrando regras  e convenções sociais. O “ser alguém na vida” envolvendo autenticidade, visibilidade e performance.

As questões de sua pesquisa perpassam as seguintes discussões: a percepção, a expressão e a gestão do valor individual; a condição de ser célebre como fator de ascensão social e como parâmetro da validação existencial; descentralização da produção da celebridade e democratização da expectativa da notabilidade; celebrificação (formas de assimilação da lógica da celebridade em diversas áreas sociais) e celebrização (processos mediantes os quais as pessoas comuns e figuras públicas são transformadas em celebridades); forças moventes ou modeladoras: mediatização, mercadorizaçao e personalização.

O professor indica então algumas bibliografias sobre o tema, como: De la visibilité (Nathalie Heinich), The Celebritization of Society and Culture (Olivier Driessens) e Visibility in Social Theory and Social Research (Andrea Brighenti).

João Freire ilustra com vários sites sobre como se tornar famoso e encerra sua conferência apresentando o caso de fama de Eike Batista e a forma como o trabalho dele dá lugar à vida pessoal.

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Edvaldo Couto e o uso das redes sociais na educação

O segundo dia do SimSocial teve início com a conferência do professor Edvaldo Couto, intitulada Corpo, subjetividade e tecnologias digitais: usos de redes sociais na educação. Sua pesquisa inicialmente pretendia explorar o discurso e as representações do corpo nas redes sociais; posteriormente, a pesquisa caminhou para os usos da rede na educação. O objetivo é então discutir o tema do corpo nas redes sociais dentro das possibilidades pedagógicas.

O professor do departamento de educação da UFBA continua sua fala colocando que nas redes sociais o corpo também é um meio de expressão; o que interessa são as narrativas corporais nas redes sociais. Taís narrativas podem ser expressas através de texto ou fotografia. “É também pelo corpo que as pessoas se expressam nas redes sociais”, afirma o professor. Porém, essas narrativas corporais estão bastante alheias na educação. Existe um silenciamento muito grande  sobre os corpos na rede, mesmo sendo esta uma época de culto ao corpo. E coloca ainda: “se nós existimos com o corpo, é com o corpo que estamos na rede e é com o corpo que fazemos educações”.

“A escola é o lugar que atrasa o século XXI. Fora da escola eu tenho acesso a várias formas de informação. Na escola, eu tenho um professor, um livro, talvez um computador”. Foi com essa frase, de um aluno canadense, que Edvaldo Couto questionou o fato de quase todos os professores e alunos estarem conectados e o uso das redes ainda ser tão precário nas práticas pedagógicas e reforça o fato de que é preciso investir na escola e na formação do professor. Professor Edvaldo sugere o uso livre das ferramentas para encontrar maneiras de se produzir na rede.

Ele definiu rede social como uma estrutura social que envolve indivíduos que partilham dos mesmos interesses. E afirma: “Agora é preciso conectar as pessoas e são as pessoas conectadas entre si que fazem coisas extraordinárias, porque elas estão juntas”. Edvaldo enfatiza que é preciso compreender que quando se fala em redes sociais não se fala somente de orkut, facebook e twitter: “há experiencias lindas de pequenos grupos criando redes”.

Couto aponta que cada sujeito é agente ativo na criação e distribuição de conteúdo e mostra algumas pesquisas sobre comportamento das redes sociais para pensar a quantidade de pessoas que usam as redes sociais e o crescimento da utilização da internet móvel. “Se as pessoas estão cada vez mais conectadas, o que se pode fazer conectado na educação?” E complementa “Onde tem mais pessoas conectadas, tem mais inteligencia coletiva. Assim deveria ser”.

O professor coloca a importância da participação das pessoas na cultura digital e propõe algumas ações que se pode fazer em rede, como aprendizagem reciproca, reconhecimento e enriquecimento mutuo e trabalho coletivo e colaborativo.

Outro ponto destacado foi a questão dos preconceitos, que também são vivenciados em rede. Há uma valorização grande de determinados modelos corporais que devem ser exibidos; encontramos na rede uma preocupação social cada vez maior para que as fotos sejam bem elaboradas, o corpo espetacularizado e construído para exaltar determinadas característica que se aproximem dos modelos valorizados socialmente. Para isso, são utilizadas estratégias pra permitir que a narrativa corporal seja bem feita. Essa obsessão por mostrar as narrativas corporais deve ser acompanhada de uma discussão acerca da vulnerabilidade na rede, que novamente é colocada novamente como um espaço de educação extraordinária, onde devem ser  discutidas sobre essas praticas.

Para completar, Edvaldo dá alguns exemplos de como usar as redes a favor da aprendizagem: mediar grupos de estudos, disponibilizar conteúdos extras para os alunos, compartilhar experiencias e bons exemplos, elaborar calendários de eventos e atividades, criar chats para tirar duvidas, promover a cultura, dentre outros. Os professores integrados na cultura digital podem usar as redes sociais para potencializar a comunicação com seus alunos, perceber as linguagens usadas e os valores envolvidos, discutir questões significativas, incentivar a expressão de uma ideia em formatos reduzidos, distribuir e receber tarefas, intensificar o dialogo em esfera publica, orientar para praticas e comportamentos seguros, orientar sobre as narrativas corporais sociais e incentivar o ativismo nas redes sociais. Mas alerta que assim como na sala de aula não se pode dizer qualquer coisa de qualquer maneira, nas redes sociais, que constitui-se de uma esfera publica com alcance muito maior, o cuidado tem que ser intensificado.

Professor Edvaldo finaliza sua apresentação afirmando que não se pode jamais limitar a experiência, deve-se sim, vivenciar e incentivar os processos dinâmicos nas redes sociais. “A educação é produção livre de conhecimentos”.

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Internet das coisas e Teoria Ator-Rede

André Lemos encerrou as atividades do primeiro dia do SimSocial 2012 com a conferência A Comunicação das Coisas: Internet das Coisas e Teoria Ator-Rede. O professor do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal da Bahia (PósCom-UFBA) procurou descrever os conceitos de Comunicação das Coisas e Internet das Coisas (do inglês Iternet of Things – IoT), tendo como embasamento teórico a Teoria Ator-Rede (TAR) – principalmente nos escritos de Bruno Latour.

Lemos buscou abordar questões como a constituição dos objetos enquanto actantes não-humanos – nesse sentido, dotados de uma capacidade de intervir nas ações. Para a Teoria Ator-Rede, o social é o que resulta das associações entre esses actantes humanos e não-humanos, e não o contrário.

Assim buscou apresentar como esses não-humanos se comunicam entre si, constituindo o que pode ser compreendido com uma Internet das Coisas. A Internet das coisas trata-se de uma infra-estrutura de rede global dinâmica com capacidade de auto configuração, baseada em protocolos de comunicação padrões onde essas “coisas” físicas e virtuais utilizam interfaces inteligentes e integram as redes telemáticas.

Dentre os exemplos apresentados ao final da conferência, apresentou um  caso de Etiquetas de Identificação por Radio Frequência (RFID) associando com os conceitos abordados. O objetivo foi de compreender consequências morais, éticas e políticas dessa “comunicação das coisas”.

A conferência despertou questões muito relevantes e a discussão final levantou pontos muito proveitosos. De acordo com Lemos, “a rede que faz o social e não o social que se faz na rede”.

Quando questionado a respeito do SimSocial, André Lemos considera que Salvador realiza poucos eventos neste sentido e o SimSocial, nesse contexto, torna-se muito importante, visto que reúne pesquisadores nacionais com  contribuições enriquecedoras e discussões que envolvem diversas áreas do conhecimento. Além de um interessante formato de conferências e grupos temáticos (GTs).

Ao final da conferência, ocorreu o coquetel de lançamento do livro “Mídias Sociais: Saberes e Representações”, um trabalho organizado por José Carlos Ribeiro, Thiago Falcão e Tarcízio Silva que é fruto de uma seleção de trabalhos submetidos ao SimSocial do ano passado.

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Recuero faz a primeira conferência debatendo a conversação em rede

O Professor Edson Dalmonte, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporânea da UFBA, e com o professor José Carlos Ribeiro, coordenador do GITS, abriram o SimSocial 2012. Dalmonte parabenizou o GITS pela organização e ousadia em fazer o evento, já em sua segunda edição. Afirma que o evento, que surge do interior de um grupo de pesquisa, é um momento importante de encontro para todos e deseja que os participantes voltem a seus respectivos programas com esse complemento. Dalmonte aproveitou a oportunidade para o convite do Encontro Anual da COMPÓS, que em 2013 será em Salvador, entre 04 e 07 de junho.

José Carlos Ribeiro, deu boas vindas a todos os participantes e apontou que o evento surgiu do desejo de compartilhar as experiencias internas do grupo e trocar informações sobre sociabilidade e tecnologias. Ribeiro, também coordenador do evento, fez um comparativo entre a primeira e a segunda edição do  evento, enfatizando o número de inscritos triplicou, o que mostra o interesse no tema e relevância do evento.

Conversação em Rede

A professora Raquel Recuero, jornalista, professora doutora e pesquisadora do PPGL e do curso de Comunicação Social da UCPel, realizou a conferência de abertura do SIMSOCIAL 2012, com a temática “A Conversação em Rede”.  Recuero iniciou a discussão contextualizando seus estudos em redes sociais. Raquel faz pontuações das redes sociais como estruturas sociais, isto é, modos como as pessoas se conectam, como trocam informações através dessas conexões e como essas trocas influenciam a sociedade. Nesse caminho, a grande revolução não são as redes em si, e sim as redes sociais online – o surgimento e apropriação dos sites de redes sociais.

Nesses sites os atores (sujeitos do ponto de vista interacionista) criam um perfil, ou seja, uma representação individualizada, e através dessa representação associam-se a outras pessoas; essas conexões associativas estão criando efeitos relevantes. Recuero ilustrou fazendo um comparativo entre uma pesquisa da década de 60, que afirma que entre qualquer pessoa e outra há no máximo seis graus de separação. Uma pesquisa publicada em 2012 traz que hoje, no facebook, esse grau cai para 3,75. A professora complementou que as redes sociais online são bem mais complexas e apontou três fatores que no ambiente online são transformados: capital social, permanência e difusão de informações.

Na sequência, Raquel Recuero trouxe a discussão sobre a conversação trazida pela comunicação mediada por computador (CMC). Ela introduziu o tema abordando cinco elementos da conversação, de acordo com Marcuschi: interação, troca de falantes, sequencia de interações coordenadas, execução de uma identidade temporal e envolvimento em uma interação centrada. A conversação online abarca os cinco elementos e, de acordo com Boyd e Ellison (2007), contempla ainda outras variáveis efetivas como permanência, buscabilidade, replicabilidade e presença de audiências invisíveis.

Recuro enfatizou que as conversações em rede estão além de nós, as mensagens se reproduzem e milhares de pessoas falam ao mesmo tempo, sobre o mesmo assunto e pontua que as conversações em rede permitem migração e multimodalidade, escrita oralizada, unidade temporal elástica, representação de presença e públicos em rede. “Essas tecnologias estão fazendo com que conversações em rede emerjam e estão proporcionando que as informações circulem mais e mais rápido. Os movimentos que estão emergindo tem efeito porque representam um espaço de opinião publica”.

Ao final, Recurso trouxe questões emergentes sobre temas que estão se reconfigurando, tais como privacidade, rastros, excesso de informação, filtragem e exposição. E após o espaço de perguntas finalizou: “Que tipo de sujeito surge das redes? Não tenho a menor ideia. Saberemos no futuro”.

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